| A aprendizagem dos Dekasseguis |
| 26-Apr-2009 | |
Cerca de 300.000 brasileiros vinham atuando como mão-de-obra valorosa no Nihon, por conta da necessidade de crescimento e vigor da economia japonesa. Processo que começou na década de 80 e nunca mais parou.
Os valorosos brasileiros fizeram o caminho inverso dos primeiros japoneses que pisaram no solo brasileiro, há 100 anos. Com a crise mundial deflagrada em meados de 2008, muitos destes brasileiros ficaram desempregados e estão retornando ao Brasil. Segundo recentes notícias na imprensa estima-se que, aproximadamente, 50.000 pessoas ficaram sem trabalho e a única opção foi retornar a Pátria Amada. As maiores concentrações de comunidades Nikkeys estão nos estados de São Paulo, Paraná, Mato Grosso de Sul e Pará. Estes brasileiros, por serem descendentes de japoneses, foram autorizados pelo governo do Japão, a trabalharem lá. E, determinados a obterem uma situação pessoal melhor, deixaram amigos, lar e até cônjuge e filhos no Brasil para trabalharem do outro lado do planeta. Algumas constatações... Muitos deles ficaram anos e anos por lá sem nunca passear ou retornar ao Brasil por alguns dias. Outros, a cada 2, 4 anos retornavam, tentavam algo ou simplesmente matavam a saudade do Brasil e das pessoas queridas, retornando para mais uma jornada de anos de trabalho no país do Sol Nascente. Como participante do programa Dekassegui Empreendedor promovido pelo Sebrae, em parceria com o BID, estive muitas vezes atendendo o dekassegui que acabava de retornar ao Brasil sem um rumo, sem saber exatamente o que fazer. Conversando com diversos deles, aprendi que a estada deles não tinha sido em vão, nem um fator de alienação de como ser um excelente profissional no Brasil. Seja como empregado, seja como empreendedor dono do seu próprio negócio. Destaco algumas percepções interessantes: 1) A qualidade do atendimento ao cliente no Japão é muito melhor do que a oferecida no Brasil; 2) O comprometimento com a qualidade e produtividade é constante. Os brasileiros são ótimos contribuintes quanto a ideias (criatividade) para alcançar novos patamares; 3) A organização, limpeza, senso de utilidade, aproveitamento do espaço não só ensinam sobre os 5 S´s como permeiam a vida em sociedade no Japão; 4) A forma de se comunicar e instruir os colaboradores tem um padrão tão simplificado que mesmo os brasileiros que não falam as línguas japonesa ou inglesa são facilmente integrados ao meio de produção; 5) Nas empresas, mesmo para aqueles que operam no "chão de fábrica", há reuniões constantes, quase que diariamente, para corrigir eventuais problemas ocorridos no dia anterior e estabelecer objetivos e metas para o dia. 6) É comum estimular ideias e, aquelas implantadas que geram um resultado satisfatório (ou qualidade ou produtividade) são reconhecidas e premiadas. Muitas vezes em dinheiro, em solenidade perante todos os outros colaboradores da empresa. Se no Brasil precisamos fazer uma graduação ou pós para aprender métodos de excelência na gestão empresarial, nossos compatriotas que trabalham no Japão respiram-nos na prática! Fica aqui uma mensagem... Dar a merecida atenção para este grande grupo de pessoas que fizeram um intercâmbio não só cultural como laboral. Estão com know-how que pode muito contribuir para o sucesso das nossas micros e pequenas empresas brasileiras. Irmãos brasileiros, vocês que já se disponibilizaram ao sacrifício de ir ao outro lado da Terra para ganhar a vida, tenham auto-estima para se movimentarem, agirem em prol do sucesso de vocês aqui no Brasil. Vocês são trabalhadores de valor. Precisamos do conhecimento que vocês adquiriram trabalhando no Nihon. Não sabem por onde começar? Procurem instituições de apoio como o Tomodati, Sebrae, ABD (Associação Brasileira de Dekasseguis), Senac, Senai, Senar, Sesi e todas que tenham uma proposta séria de capacitar pessoas, seja como empreeendedor, seja como colaborador. -Gambaru! "Gambaru" é um termo do código de honra dos Samurais (Bushidô) que significa esforço, persistência. Paulo Dias Fernandes é consultor de empresa e educador presencial e virtual. Economista (UFPR), pós-graduado em Gestão Empresarial (Cesumar), Educação a Distância (Senac) e pós-graduando em MBA em Qualidade e Produtividade (Cesumar).Credenciado pelo Sebrae para atuar no Projeto Dekassegui Empreendedor do Sebrae (em parceria com o BID e a ABD) |
Cerca de 300.000 brasileiros vinham atuando como mão-de-obra valorosa no Nihon, por conta da necessidade de crescimento e vigor da economia japonesa. Processo que começou na década de 80 e nunca mais parou.